quarta-feira, 23 de junho de 2010

A Questão do véu!

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A QUESTÃO DO VÉU

O véu era somente para a Igreja de Corinto?
Em 1COR 1.2 lemos
“À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, COM TODOS os que EM TODO LUGAR invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

" à igreja que esta em Corinto,... COM TODOS os que invocam o nome de nosso SENHOR JESUS CRISTO..." "Para: os cristãos de Corinto... E PARA TODOS os cristãos EM TODA PARTE, todos quantos invocam o nome de JESUS..." (tradução da Bíblia Viva).

Em muitas igrejas as irmãs usam véu durante o culto e orações. Lendo o texto na linguagem original não é nada difícil entender o assunto de I cor 11, onde o apostolo entra na questão da submissão, do cabelo e do cobrir a cabeça, aos menos esclarecidos saibam que a questão do “hijab” ou véu islâmico é um ponto polêmico para os não-muçulmanos e até para alguns muçulmanos e nada tem a ver com a interpretação cristã sobre o assunto, se o véu realmente fosse o cabelo não estaria claro que os homens deveriam rapar a cabeça uma vez que não deviam cobri-la?
Se o homem quer reconhece a autoridade de Cristo, não deve esconder essa autoridade, não deve cobrir a sua cabeça, porque a sua cabeça tipifica Cristo. Mas (v.5), o caso da mulher é diferente: se ela não cobrir a sua cabeça, que tipifica o varão, então fica descoberto a autoridade do varão, e, por conseguinte, duas autoridades estão em evidência: a de Cristo, na cabeça descoberta do varão, e a do varão na cabeça descoberta da mulher, as quais se opõem e pela cobertura da cabeça se reconhecem.
Em 1Cor.11:3-16 o assunto é explicado no vers. 3:

“Cristo é a cabeça de todo o varão,
O varão é a cabeça da mulher
E Deus a cabeça de Cristo.”

No caso de varão, este não é cabeça da mulher por ser superior a ela, “pois o homem é nada sem a mulher e a mulher é nada sem o varão, porque como a mulher provém do varão, o varão provém da mulher: mas tudo vem de Deus” (1Cor.11:11-12).
Em Gen.24:65 o véu foi usado por Rebeca como sinal de reverência (1 Ped.3:5-6), submissão, mas particularmente esconder a sua glória; a sua beleza feminina. Nesta perspectiva, é usado o véu em Cant.4:1,3:6:7.
Assim diz o versículo 15:
“Porque o cabelo crescido lhe foi dado (à mulher) em lugar do véu"
Isto é, “as mulheres devem ter sobre as suas cabeças sinal de poderio por causa dos anjos” (v.10); os anjos estão no culto aprendendo através da igreja as “multiformes e riquezas da sabedoria de Deus” (Ef.3:10), e não por causa das prostitutas, segundos "teorias" (o fato não possui respaldo bíblico)
V.4-5: "Desonra a sua própria cabeça". No grego. Tem simplesmente "sua cabeça". Não consinta "sua própria", como se referindo à sua cabeça natural, mas o que ela representa, no caso do homem é Cristo (v.3), e no caso da mulher é o varão (v.3). Assim, não usando a mulher o seu véu, desonra pela não sujeição ao varão, que é a sua cabeça; por sua vez o varão que ora ou fala com a sua cabeça coberta, desonra a Cristo - a sua Cabeça. Contudo, a mulher que desonra o varão pela sua não sujeição, e tendo este como cabeça a cristo, e sendo este a imagem e glória de Deus, a mulher, com tal atitude, está a desonrar diretamente a Cristo, visto que não esta reconhecendo a ele sujeição "A Cabeça do Corpo da Igreja" (Col.1:18).
V.15:"...O cabelo...". No grego a idéia é de um cabelo tratado, adornado, crescido, como glória... "Véu...", no grego significa “cobertura”, ou seja, o cabelo foi dado à mulher como um véu, como tendo a mesma função e a mesma utilidade.
A palavra “mantilha” é a tradução do termo grego PERIBOLAION, que significa “cobertura”. A natureza, ou seja, o costume social aceito correntemente, era de que a mulher deveria utilizar o cabelo comprido.
"...em lugar de...". No grego a palavra é "ANTI". No N.T. a palavra aparece 22 vezes e sempre com a idéia de, em troca de, pôr, em substituição de, em oposição a, em face de, e em algumas versões "como".
Isto pode levar-nos a pensar que o que está atrás foi dito foi-o em vão, mas não, pelo contrário, vem confirmar as conclusões até aqui obtidas. Paulo acha por inspiração divina que a mulher deve usar dois véus.
Segue abaixo o comentário do livro do - Dr. OPINAM C. Stamps:
"Paulo sustenta que o homem é a cabeça da mulher. Este fato subentende a subordinação da mulher. Deste modo, estabelece-se uma cadeia de comando: Deus, Cristo, o homem, a mulher. A partir desta proposição deduzem-se decorrências práticas. As mulheres estão erradas, se de qualquer forma, modificam suas diferenças em relação aos homens. Esta admoestação é verdadeira em qualquer circunstância. Paulo dá o exemplo da diferença no vestir . Uma das maneiras de se ver esta diferença estava na maneira dessas mulheres manterem o cabelo. Este devia permanecer de tal maneira que distinguissem os homens das mulheres. O cabelo da mulher simbolizava sua submissão e lealdade a seu marido ... Paulo também declara que o cabelo longo é uma vergonha para o homem."
verso 16:
Mas, se alguém quiser ser CONTENCIOSO, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.
Não é para haver contendas por causa disso!...
CONTENCIOSO: REFERêNCIA A QUESTIONAMENTO - do Latim contentiosu
adj., que envolve contenda ou litígio; litigioso; sujeito a contestação, a dúvida;
CONTENDER: do Lat. contendere v. int., brigar, litigar, rivalizar, competir; contrapor-se; esforçar-se; dirigir provocação.
EXISTE UMA GRANDE DIFERENÇA ENTRE CONTENDER E SER CONTENCIOSO, A MAIORIA DAS PESSOAS FAZEM ESTA CONFUSÃO DEVIDO AS PALAVRAS SEREM PARECIDAS.
O uso do véu era mandamento de Paulo ou do SENHOR?
Lendo o cap. 2 de I COR vemos que Paulo deixa bem claro que não falou nada de si, somente pelo SENHOR. No cap. 14.37 está escrito "Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do SENHOR."
Só em COR se faz menção do uso do véu?
Verifique o leitor que à partir do cap. 7 Paulo está respondendo questões que a ele foram dirigidas! 7.1" Ora, quando às coisas que me escrevestes..."

Pois bem as epistolas eram ou não universais?
Col 4:16 - E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também.

2Te 2:15 - Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.



Tenho aqui, vinho para mim uma virgem ataviada como se saísse da câmara nupcial, toda branca e com sandálias brancas, com um Veu até a testa, e a cobertura de sua cabeça era um turbante. Hermas (150 d.C.)

Além de estar proibido descobrir os cabelos, esta mandado cobrir-se a cabeça e velar o rosto. Porque não é honesto que a beleza do corpo seja um anzol para pescar aos homens. Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Que as mulheres entendam isto. Que devem cobrir-se por completo a não ser que estejam em sua casa. Porque esta forma de vestir é sóbria e as protege de ser olhadas... A mulher cristã nunca cairá se põe adiante de seus olhos a Modestia e o Veu . Também não será causa de tropeço para o homem por descobrir-se o rosto. Por tanto, é a vontade de Cristo que se deva orar com o Veu . Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Os seguintes três desenhos dos primeiros cristãos achados nas catacumbas de Roma que datam do século II e III, demonstram como as mulheres cristãs daquela época punham em prática a ordem dos Apostolos quanto ao Veu .





“Por causa dos anjos”; ao dizer “anjos” se está referindo aos homens justos e virtuosos. Que use o Veu para não ser causa de tropeço e guie à fornicação. Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Este assunto entenderam bem os Coríntios mesmos. De fato, até este mesmo dia, as virgems (igual que as mulheres) cobrem-se com o Veu . Os discípulos aprovam o que os Apostolos ordenaram. Tertuliano (197 d.C.)

Saibam que se trata da cabeça inteira. A região que se deve cobrir com o Veu , ocupa o mesmo espaço que o cabelo quando este se acha solto… As mulheres pagãs de Arábia te julgarão. Porque não só cobrem a cabeça, senão a cara também. Tertuliano (197 d.C.)

A mulher não deve apresentar-se com a cabeça descoberta. Tertuliano (197 d.C.)

Mas admoestamos às mulheres que não deixem esta disciplina do Veu nem por um momento, nem sequer por uma hora… Te rogo, sejas tu mãe, ou irmã, ou filha virgem, cobre tua cabeça. Tertuliano (197 d.C.)

Que todas as mulheres tenham a cabeça coberta com uma tela opaca, que não seja um Veu transparente, porque isso não cobre em verdade. Hipólito (200 d.C.)

Que fará a mulher cristã se descuidasse esta ordem? Calará a oração espontânea de agradecimento? Se enfrentará à tentação sem o arma da oração? Deixará de cumprir com seu Senhor, privando a um alma precisada de um depoimento? Desafiará ao Senhor e menosprezará seu mandato, orando e testemunhando sem o Veu ? Desonrara a seu Senhor ou usará o Veu durante todo o dia para assim encontrar-se o tempo todo em comunhão com seu Deus, disposta para testemunhar? Crisóstomo (344-407 d.C.)


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O Uso do Véu
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I Co 11:2-16
Em sua primeira carta aos crentes de Corinto no capítulo 11, encontramos Paulo argumentando sobre o motivo pelo qual a mulher cristã deve cobrir a sua cabeça durante o culto público da igreja local. É bastante provável que, ao expor o porque de as irmãs cobrirem a cabeça, o apóstolo esteja respondendo a uma pergunta desta igreja em relação a este assunto (cf. 12:1 "quanto aos..."). O que levou Paulo tratar sobre este assunto deve ter sido o fato de algumas irmãs não estarem cobrindo a cabeça durante o culto da igreja em Corinto. Na cultura de alguns povos antigos, uma mulher aparecer em público com a cabeça descoberta era, como diríamos hoje, agir de forma desavergonhada. Ainda hoje em alguns países do oriente as mulheres não saem na rua sem estar com a cabeça devidamente coberta.
Quais seriam então as razões para uma mulher cristã cobrir a cabeça nas reuniões da igreja? Haveria um motivo justo para que ainda hoje isto seja observado? Já que na nossa cultura, no nosso país não é vergonhoso sair à rua com a cabeça descoberta seria necessário então o uso de cobertura por parte das irmãs no culto da igreja? Estas são perguntas que certamente tem sido feitas por muitos e que certamente são válidas.
Para que possamos entender melhor este assunto é bom que tenhamos em mente que ela fala de três símbolos importantes na igreja de Jesus Cristo: a cabeça, o pão e o vinho. O pão simboliza o corpo de Cristo que foi morto em nosso lugar, o vinho o seu sangue derramado a nosso favor para lavar nosso pecado e a cabeça simboliza uma hierarquia divinamente estabelecida.
Com isso em mente tentemos entender os seguintes motivos expostos por Paulo para justificar o velar da cabeça por parte da mulher cristã nos cultos da igreja local:
I. HÁ UMA HIERARQUIA DIVINAMENTE INSTITUÍDA.
Esta hierarquia é posta na seguinte ordem Deus => Cristo - Cristo => homem - homem => mulher; onde cada um dos três primeiros é o cabeça do seguinte. Nesta Passagem cabeça não deve ser entendida como um sinal de superioridade e sim como fonte de derivação de autoridade, de origem (cf. 8,9). A Bíblia é clara em dizer que Deus e Jesus Cristo são iguais (na verdade são um cf. Jo 518; Fp 2:6), mas como o Homem arquétipo, o segundo Adão, Jesus proveio de Deus. Como homem Jesus derivou-se de Deus. É nesse sentido que Deus é cabeça de Cristo. É Também nesse sentido que o homem é cabeça da mulher. Em Gênesis 2 temos a narrativa da criação onde uma certa prioridade é atribuída ao homem (cf. Ef 5:22ss.; Cl 3:18,19; I Tm 2:11ss.). Lemos ali que a mulher derivou-se do homem quando, da costela deste, Deus a formou.
É então com esta argumentação que Paulo inicia o assunto do uso de cobertura da cabeça no culto da igreja. Então, logo a seguir, continua a explicar qual deve ser a postura do homem e da mulher nas reuniões da igreja. A partir do versículo quatro (4-10) ele faz isso de forma mais direta. Veremos então o segundo motivo dado pelo Espírito Santo, através do apóstolo Paulo, para que a mulher cubra a cabeça no culto.
II. HÁ UMA QUESTÃO DE IMAGEM E DE GLÓRIA.
Parece que, para Paulo, a ordem das funções entre os sexos opostos, já determinada na criação, não foram abolidas pela salvação em Cristo Jesus. Ele afirma que todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra (envergonha) a sua cabeça (cabeça espiritual = Cristo). No versículo sete (7) ele mostra a razão pela qual o homem não deve cobrir a cabeça ao afirmar que ele "é a imagem e a glória de Deus".
Como o ponto culminante da criação, o homem, como nada mais pode fazê-lo, mostra a glória de Deus. Sendo assim, ao cobrir a sua cabeça, ele estaria desprezando o lugar de dignidade que lhe foi dado por Deus na ordem da criação. Por este motivo não é apropriado que a glória de Deus (o homem) se apresente com a cabeça coberta perante Ele na igreja.
Por outro lado, a mulher que ora ou profetiza sem usar cobertura desonra a sua cabeça (o homem e, por extensão, a Cristo). É então empregada uma linguagem bastante forte afirmando que é tão vergonhoso a mulher orar com a cabeça descoberta quanto seria ter a cabeleira rapada. Dizem alguns historiadores que, no contexto da cidade de Corinto, ter o cabelo tosquiado era identificar-se como uma das prostitutas cultuais1 da cidade. Paulo queria que as irmãs entendessem que era tão vergonhoso orar com a cabeça descoberta quanto seria ser identificada como uma prostituta de um culto pagão.
O motivo pelo qual a mulher deve cobrir a cabeça é por ser ela a glória do homem (pois ela foi feita para o homem - cf. v. 9). A argumentação que se segue então é: se a glória de Deus (o homem) não deve apresentar-se perante Ele, na igreja, com a cabeça coberta, a glória do homem (a mulher) não deve apresentar-se diante de Deus, na igreja, com a cabeça descoberta (cf. v. 10).
Já dissemos que, num certo sentido, na ordem da criação de Deus a mulher é subordinada ao homem. Pois bem, assim como na criação há uma ordem, também na igreja ela deve ser reconhecida e manifestada através da cobertura que a mulher usa na cabeça.
O uso de cobertura na cabeça indica submissão por parte da mulher a ordem estabelecida por Deus na criação. Portanto, assim como o homem por ser ponto culminante da criação e que não esta subordinado a nenhuma outra criatura, não deve trazer sinal de subordinação sobre a cabeça, assim também, a mulher que foi feita do homem e por causa dele, deve trazer sobre sua cabeça um sinal de subordinação. Indicando assim que aceita de bom grado a ordem hierárquica estabelecida pelo Senhor Deus.
O versículo 15 diz que a glória da mulher é o seu cabelo. Assim como Deus tem a sua glória (o homem), assim como o homem tem a sua glória (a mulher), também a mulher tem a sua glória que é o seu cabelo. Talvez possamos entender com isso que assim como a glória do homem (a mulher) deve apresentar-se na igreja coberta, assim também, a gloria da mulher (o seu cabelo) deve, por sua vez apresentar-se coberta.
Passemos agora ao terceiro e talvez mais complicado dos motivos expostos pela Bíblia para a mulher cobrir sua cabeça.
III. HÁ UMA QUESTÃO ESPIRITUAL.
O versículo 10 diz: "Por causa disto deve a mulher ter autoridade (Gg. exousia) sobre a cabeça, por causa dos anjos" (NVI). A frase por causa disto (portanto), esta se referindo ao que já foi argumentado nos versículos anteriores. Mas há também uma referência direta aos anjos como outro motivo pelo qual a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade. Então surge a pergunta óbvia: que anjos são estes? O que a Bíblia quer dizer com isto?
Em uma tradução pessoal do texto grego do versículo 10 cheguei ao seguinte resultado: "Por esta razão e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade." Fica evidente que uma das causas pelas quais a mulher deve cobrir a cabeça são os anjos. A questão não é de escolha, de gosto ou cultura, pois os anjos são supraculturais. Quando eles são postos como motivo para o uso de cobertura, a Palavra nos amarra, por assim dizer, e toda argumentação a respeito do assunto não deveria fugir a este aspecto.
Reconhecendo que este é um dos versículos mais obscuros da Palavra de Deus, tentemos analisá-lo à luz de outras passagens (a Bíblia é interprete de si mesma). Vejamos então as opções que temos.
A. Anjos Caídos.
Para justificar esta menção a anjos como o motivo pelo qual as mulheres devem cobrir a cabeça, alguns já tentaram ligar este versículo a Gênesis 6:1ss. Ali lemos que os filhos de Deus (que eles entendem ser anjos) tomaram para si mulheres de entre as filhas dos homens. Juntando isso a Judas 6, onde lemos que alguns anjos não guardaram o seu estado original (entendendo que isso significa que mantiveram relação sexual com mulheres) chegam a conclusão que os anjos caídos sentem-se atraídos sexualmente pelas mulheres que estão no culto sem usar cobertura. Segundo eles, o uso de cobertura seria então uma proteção contra estes anjos caídos que desejam desencaminhar as mulheres.
Esta interpretação, porém, é forçosa e não tem o apoio claro da Palavra de Deus. Além disso, porque tais anjos só se sentiriam tentados pelas irmãs na hora dos cultos? Porque não se sentem atraídos pelas outras mulheres descrentes que também não usam cobertura no dia a dia. Esta conclusão, portanto, é descabida e muito improvável.
B. Anjos Bons.
A probabilidade é que a Bíblia esteja afirmando a presença de anjos não caídos conosco especialmente nos cultos. Entretanto, Não fica claro qual seria o papel dos anjos no culto da igreja. Seriam eles meros observadores? Estariam eles a observar como a igreja preserva a ordem natural estabelecida por Deus na criação? Tentemos entender isso.
Em Apocalipse 8:3 vemos que um anjo está colocando diante de Deus as orações dos santos. Em Hebreus 1:14 vemos que a função dos anjos é servir aos salvos. Então já conhecemos algumas das funções dos anjos.
Contudo, mais significante ainda é o que lemos em Efésios 3:10 que diz: "para que pela igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais." Então ficamos sabendo que, de certa forma, a Igreja é usada para manifestar aos anjos a sabedoria de Deus. Ela, a igreja, está a ensinar aos anjos.
Estou ciente que não devemos nos basear em letras de hinários para estabelecer doutrinas. Contudo, citarei uma estrofe do hino 501 do Hinos e Cânticos para mostrar que o irmão Richard Holden (o iniciador do movimento dos Irmãos no Brasil), ao que parece, também tinha este entendimento. Vejamos a letra do seu poema:

Aba! Aqui nós te adoramos,
Muito alegres em saber
Que por nós, que em Cristo estamos,
Vão teus anjos conhecer
Teu saber maravilhoso,
Tua graça, Teu amor,
E com mais intenso gozo,
Te adorar com novo ardor (Negrito meu).

Entendo que quando a igreja local se reúne seguindo os princípios estabelecidos por Deus, os anjos podem ver que a ordem hierárquica estabelecida por Ele está sendo respeitada. Creio ser isso uma lição tanto a uma quanto a outra classe de anjos. Aos anjos caídos que quebraram esta hierarquia ao se rebelarem ao tentarem tirar Deus do seu trono e aos anjos bons que ainda a respeitam. Neste sentido a igreja deve procurar ser uma "escola" para os anjos. Talvez esta seja uma das áreas nas quais os anjos serão julgados pelos santos (cf. I Co 6:3). Isto é por demais profundo para ser tratado com descaso pela igreja de Cristo. No mínimo os líderes deveriam estudar profundamente este assunto antes de emitir sua opinião sobre ele.
IV. CONCLUSÃO.
Depois de praticamente esgotar sua argumentação a favor do uso de cobertura por parte das mulheres, Paulo lança uma pergunta de crucial importância: "Julguem entre vocês mesmos: é apropriado a uma mulher orar a Deus com a cabeça descoberta? (v. 13). Na verdade ele esta perguntado: "depois de tudo que lhes foi apresentado, vocês ainda entendem que uma mulher deve orar na igreja com a cabeça descoberta?" A resposta que ele espera ouvir é, com toda a certeza, não! A Bíblia diz: "Toda mulher, porém, que ora, ou profetiza, com a cabeça sem véu (descoberta), desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada" (I Co 11:5 -parêntese meu ).
Outra observação importante a fazer é quanto ao versículo 15. A Bíblia na Edição Revista e Corrigida, diz que o cabelo foi dado a mulher em lugar de véu. Isto tem levado muitos a entender que a mulher que tem o cabelo comprido está dispensada de cobrir a cabeça. Mas na verdade o texto em grego diz que o cabelo lhe foi dado em lugar de manto, mantilha. A palavra usada aqui é "peribolaiou" em contraste com "katalupto" que é usada nos versículos anteriores e que é traduzida como véu.
Aliás em todo o texto grego do capítulo 11 a palavra véu não aparece uma vez sequer. Katalupto foi traduzida por véu porque normalmente o pano que cobre a cabeça das mulheres no oriente é conhecida por nós como véu. Esta tradução pode nos ajudar a entender melhor, mas também pode trazer confusão como vimos acima. Portanto, neste texto fica melhor traduzir katalupto com o seu significado primário que é cobrir, cobertura.
Iniciamos este estudo com algumas perguntas entre as quais uma questionava sobre a validade ou não do uso de cobertura por parte das mulheres na igreja atual. Espero que tenhamos chegado a conclusão que, desde que seja feito com entendimento, permanece para as irmãs a validade do uso de cobertura nos cultos da igreja de todos os tempos.
Contudo devemos evitar os exageros de querer obrigar as irmãs a usarem o véu (uso a palavra véu por ser a que melhor expressa o uso de cobertura na nossa língua) deste ou daquele tamanho, deste ou daquele tecido, deste ou daquele formato, desta ou daquela cor e por aí vai... infelizmente. A Bíblia não especifica nada destas coisas e quando o fazemos estamos pondo na boca do Senhor Deus aquilo que Ele nunca disse. Fazer isto traz prejuízo e é pecado. O próprio apóstolo Paulo (que foi diretamente inspirado por Deus ao escrever esta carta), após mostrar o que ele cria ser da vontade de Deus para a igreja, deixa, por assim dizer, a igreja em liberdade para que julgassem entre eles se era ou não apropriado usar o véu (v. 13). Mesmo esperando uma resposta positiva em relação ao uso do véu, esta foi a sua atitude. Paulo não era um ditador. Creio que o seu raciocínio era o de que só se deve prestar a Deus um culto de coração voluntário e não por imposição de ninguém. Ele usou toda a argumentação bíblica, mas deixou ao Espírito Santo o papel de convencer a igreja em Corinto destas verdades.
Quanto a idade ou quando uma irmã deve começar a usar o véu a Bíblia não especifica. Contudo, apesar da nossa tradição rezar que só depois de batizada uma irmã está autorizada a usar o véu, entendo que a partir do momento no qual ela aceita Cristo como seu Salvador pessoal ela pode e deve usar o véu. Quanto a isso a Palavra de Deus não faz nenhuma restrição.
Creio não ter nenhum valor espiritual uma pessoa que use o véu sem entendimento nenhum do seu significado ou usar somente por tradição. Não adianta, por exemplo, usar o símbolo da submissão, da hierarquia estabelecida por Deus, se em casa não se é submissa ao marido. Isto se parece mais com uma tradição supersticiosa do que com um culto racional, inteligente, com entendimento (cf. Rm 12:1).
Por último é bom lembrar que, longe de desmerecer a mulher, o véu lhe confere um lugar de dignidade na assembléia onde se adora ao Deus Eterno. Lugar este que, ainda hoje, é negado a mulher judia, e a mulher islâmica (maometana) no seu culto. Este símbolo lhe assegura um elevado lugar na igreja, ainda que deixe claro que não é o lugar do homem.
Paulo encerra este assunto afirmando que se alguém quer ficar criando polemica a esse respeito, este não era o seu costume e nem o das demais igrejas co-irmãs em Cristo. Isto sugere que o uso do véu era praticado também pelas outras igrejas neotestamentárias. Sendo que a polêmica só existiu na complicada igreja em Corinto.
Jabesmar Aguiar Guimarães

1. Prostitutas cultuais eram as mulheres usadas pelos homens para prestar culto pagão ao seu deus através de ato sexual . Este costume era bem antigo pois já é mencionado em Jó ( Jó 36:14, ver também I Rs 14:24; 15:12; 22:47 ). É bem provável que Gomer, a mulher do profeta Oséias, fosse uma prostituta cultual.

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Pr. Fabiano Antonio Ferreira, D.D.

Após uma análise bem minuciosa do texto de 1Co 11.2-16, qualquer leitor só poderá concluir que o apóstolo Paulo realmente doutrinou que as mulheres cristãs dos tempos do Novo Testamento deveriam usar o véu quando da adoração ao Senhor. A igreja de Corinto foi a única igreja gentílica a adotar uma postura diferente das demais igrejas, tanto de maioria judaica como de maioria gentílica, incorrendo em flagrante rebelião contra os costumes das demais igrejas, e dessa questão o apóstolo Paulo tratou minuciosamente no texto supracitado. Que a conclusão de que a posição das mulheres da Igreja de Corinto era diametralmente oposta à prática de todas as igrejas do NT, como está explícita no v.16, hoje é patente até mesmo nos escritos contemporâneos de eruditos católicos liberais da ala da crítica radical, como Paul Hoffmann, que demonstra profunda insatisfação pelo fato de Paulo ter exigido que o movimento de emancipação da mulher em Cristo da igreja em Corinto cessasse e que elas usassem o véu como as demais igrejas. Paul Hoffmann[1] disse que Paulo errou ao fazer essa exigência das irmãs de Corinto e recaiu em preconceitos judaicos! Isto é só para sentir como os liberais consideram a Escritura e os autores sagrados! Nos escritos de eruditos reformados conservadores também a conclusão é óbvia. O Dr. Augustus Nicodemus Lopes, erudito reformado conservador, ao analisar 1Co 11.2-16, chegou à conclusão de que a posição das mulheres da Igreja de Corinto era diametralmente oposta à prática de todas as igrejas do NT, e apresentou até mesmo uma alternativa para “os estudiosos que já perderam a esperança de poder sistematizar, de forma harmônica, as passagens do Novo Testamento que tratam, por um lado, da igualdade ontológica do homem e da mulher, e por outro lado, da diferenciação em suas funções”.[2] Pois uns dizem, segundo Lopes, que o ensino de 1Co 11.2-16 foi causado pela cultura da época e pelas circunstâncias prevalecentes na cidade de Corinto. Lopes continua: “Outros insistem que Paulo estava condicionado pela cultura predominantemente machista e patriarcal de sua época, que suas palavras são condicionadas culturalmente e, portanto, inadequadas para as culturas e sociedades pós-modernas”[3] do século XXI. Assim, Lopes apresenta uma alternativa a essas soluções de desespero, dizendo:

“Tais soluções de desespero deixam de perceber alguns pontos simples. O principal é a distinção entre o princípio teológico supracultural e a expressão cultural deste princípio. Enquanto o uso do véu é claramente um costume cultural, ao mesmo tempo expressa um princípio que não está condicionado a nenhuma cultura em particular, que é o da diferença fundamental entre o homem e a mulher. O que Paulo está defendendo é a vigência desta diferença no culto – o véu é apenas a forma pela qual isso ocorria normalmente em cidades gregas do século I. Além disso, Paulo defende a apresentação diferenciada da mulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendem cultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade (1Co 11.3) e o modo pelo qual Deus criou o homem (1Co 11.8-9) . Acresce ainda que Paulo defende o uso do em Corinto apelando para o costume das igrejas cristãs em geral (1Co 11.16), o que indica que o uso do véu não era prática restrita apenas à cidade de Corinto, mas de todas as igrejas cristãs espalhadas pelo mundo grego”.[4]

Em nossa análise da questão do uso do véu, aceitamos quase que plenamente a esmerada exegese de Lopes, apenas diferindo de sua conclusão de que a expressão cultural dos princípios subjacentes não é permanente. Acreditamos, por razões que mais à frente explicitaremos, que o uso do véu é para nossos dias. Uma razão simples que motiva nossa convicção é a observação de que Paulo faz menção à necessidade do uso do véu devido à presença dos anjos nas reuniões da igreja. Ora, se os anjos ainda hoje freqüentam regularmente as reuniões da igreja, pois esse não foi um privilégio apenas das igrejas do primeiro século (Hb 1.14), então, enquanto houver anjos assistindo as reuniões da igreja, cremos que o véu das mulheres deverá ser mantido.

Pois bem, depois de concluir que a defesa do uso véu saiu da lavra apostólica, de modo claro e indubitável, uma questão se impõe: Pela maneira como ensinou o apóstolo, o uso do véu quando da adoração seria uma obrigatoriedade para as mulheres cristãs até os nossos dias, então por que a igreja evangélica reluta em obedecer a essa doutrina? A igreja evangélica de nossos dias não está se comportando exatamente como a igreja de Corinto, de modo a levar avante a mesma atitude de rebelião contra a autoridade apostólica que prevalecia no seio daquela igreja até à época em que Deus usou o apóstolo para corrigir essa situação?

Infelizmente temos de admitir que esta é a situação vigente na maior parte do evangelicalismo contemporâneo. São raras as igrejas evangélicas que encaram as determinações de Deus através do apóstolo Paulo realmente como determinações divinas. Hoje, a maior parte das mulheres evangélicas não adora a Deus durante o culto coberta com véu. E isto não decorre, como demonstrei em meu outro artigo sobre este assunto (O uso do véu – reinterpretando 1Co 11.2-16)[5], de qualquer possibilidade interpretativa honesta. A menos que sejamos infiéis em nossa interpretação das Escrituras é que podemos deduzir que Paulo ensinou outra coisa diferente, conforme qualquer leitor poderá concluir através da simples leitura de 1 Co 11.2-16, ou, se preferir, com a ajuda da abordagem lúcida e sucinta do meu artigo anterior, ou do livro citado na nota 5, nos quais recorri a muitos excelentes intérpretes para não falar sozinho.

Às vezes fico pensando o que seria de nós se não tivéssemos em mãos a Palavra de Deus, e se esta Palavra não possuísse esses registros sagrados acerca da Igreja em Corinto. Essa igreja, aliás, como retratada nas duas epístolas de Paulo endereçadas a ela, é a chave para entendermos grande parte dos problemas que ocorrem hoje em dia na igreja evangélica. Do divisionismo ao feminismo, do intelectualismo árido à pseudo-espiritualidade, do liberalismo esquálido ao fundamentalismo infecundo, passando pelo legalismo causticante e pela hedionda carnalidade exacerbada, enfim, todas as nuanças de problemas que o evangelicalismo contemporâneo enfrenta podem ser identificadas, mesmo que embrionariamente, na Igreja de Corinto. Contudo, o que a grande maioria de nós, evangélicos, precisa reconhecer é que os problemas tratados ali naquela igreja incipiente não são para ser repetidos, mas para que nós fiquemos com a solução provida por Deus através da autoridade apostólica. Lamentavelmente, a despeito de todas as instruções de que dispomos, emulamos prazerosamente o modo coríntio de ser igreja, como se aquela vivência deformada de igreja com suas caricaturas de espiritualidade fosse o nosso paradigma! Estamos aí, após tantos séculos, aplaudindo e justificando nossas divisões com artifícios hermenêuticos e exegéticos que corariam e, por certo, irritariam os apóstolos, caso eles pudessem se pronunciar, uma vez que atribuímos a eles a causa do perfil fragmentado e multifacetado da igreja evangélica contemporânea, quando afirmamos que eles disseram que é assim mesmo que se manifesta a “multiforme graça de Deus”! Salvo um lapso de memória, o divisionismo que vemos hoje na igreja evangélica pode ser justificado, por exemplo, à luz do ensino do apóstolo Paulo em 1Co 1.10-13?

Contudo, deixemos essa questão do divisionismo de lado, por enquanto, e aduzamos apenas três diretrizes hermenêuticas bíblicas que nos permitirão consolidar nossa inequívoca conclusão de que o véu para a adoração das servas de Deus é uma questão contemporânea, se é que admitimos que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada, autoritativa e normativa.

Em nosso artigo anterior, vimos que a primeira razão para esta conclusão é que consistiria em uma violação do princípio bíblico da autoridade da Escritura afirmar que os apóstolos ministraram muitos ensinos condicionados pela cultura de seu tempo e que não podemos fazer uma transposição de muitas partes do Novo Testamento para os nossos dias. Mostramos que afirmar a presença de “dependência da cultura” nos ensinamentos apostólicos significa negar as doutrinas da inspiração e autoridade da Escritura, ao mesmo tempo em que nos lança em um verdadeiro subjetivismo, para estabelecer o que é ou não é condicionado culturalmente e, assim, roubando-nos todos os critérios objetivos. Este é um dos grandes males que o MHC (Método Histórico-Crítico) trouxe para a vida da Igreja: roubou a autoridade da Bíblia e investiu os intérpretes de autoridade para dizer o que nela está certo ou errado, o que é aplicável ou não contemporaneamente. Dissemos, portanto, que, efetivamente, tal procedimento não deixa de parecer com um tipo de gnosticismo[6] pós-moderno ou é uma outra forma moderna ou pós-moderna de fazer crítica da Bíblia para sancionar o querer do intérprete! Realmente, na maioria das vezes, o próprio intérprete é que está condicionado pelo legado tradicional mantido por sua denominação. Infelizmente, quando o intérprete tem de escolher entre o claro ensino da Escritura e sua tradição denominacional, por uma questão de conveniência, ele prefere ficar com sua tradição. Caímos, quando assim procedemos, na mesma condenação dos escribas e fariseus dos tempos de Jesus: invalidamos a Palavra de Deus pela nossa tradição! Peço ao leitor que leia Mt 15.1-6 com atenção e reanalise a situação da igreja evangélica contemporânea à luz desse texto. É de bom alvitre ressaltar aqui que há uma tradição no NT divinamente estabelecida e que ninguém, em tempo algum, tem autoridade de abolir, a menos que seja uma vítima do MHC e se julgue com esse direito. Diz o apóstolo Paulo em 2Ts 2.15: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

A segunda razão que precisamos considerar para admitirmos a permanência do véu das mulheres na igreja hoje é de caráter semiológico, ou seja, diz respeito à maneira como lidamos com os símbolos estabelecidos por Deus para a igreja. Assim, quando encontramos, por exemplo, na nota de rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal acerca desta passagem, v. 6, a assertiva seguinte: “o princípio subjacente ao uso do véu deve permanecer, enquanto que o símbolo não”, temos de escolher entre o ensino apostólico e uma tradição interpretativa que se choca com esse ensino. Pois, abolir o uso do véu arbitrariamente por ser apenas um símbolo no NT e tentar abstrair um princípio subjacente é dicotomizar injustificavelmente o símbolo e a realidade simbolizada, passando por cima do claro ensino do apóstolo, cuja intencionalidade comunicativa claramente exposta em seu texto jamais sancionaria tal procedimento. De fato, isto demonstra, também, um procedimento semiológico dúbio, infundado e até perigoso. Por que? Porque estabelece a autoridade do intérprete em decidir o que deve e o que não deve permanecer na Palavra de Deus, quanto à questão dos símbolos. Então, se eu sou a autoridade nessas questões, a Bíblia deixa de ser a autoridade; quer dizer, o intérprete se coloca em posição acima da do apóstolo, que ordena explicitamente: Que ponha o véu!

Deste modo, se eu posso decidir ficar com alguns símbolos que julgo necessários e abolir outros que julgo supérfluos, este procedimento semiológico abre espaço para eu ter de calar-me quando alguém extrapolar nessa linha de ação, alegando que o que realmente importa é a realidade simbolizada e abaixo qualquer tipo de símbolo! Assim, se surgir um novidadeiro teológico, vítima do MHC (consciente ou inconsciente), que adotou esta posição extremada e julga que não são mais necessários o batismo, a santa ceia, o lava-pés, o ósculo santo, e outro símbolo do NT, por serem apenas símbolos, que autoridade eu terei para discordar dele, tendo em vista que eu também procedi da mesma maneira e aboli os símbolos que julguei inconvenientes e mantive outros que quis, e ele da mesma maneira? Bem, então, a questão se complica, pois se os homens são as autoridades, cada um fará o que quiser neste campo semiológico e ninguém tem direito de reclamar. Sem contar que, nesta linha de ação, tal novidadeiro teológico estaria seguindo na mesma direção que seguiu Rudolph Bultmann até que se afundou nas areias movediças de seu desassisado projeto de demitologização do evangelho em Neues Testament und Mythologie, (1964), (O Novo Testamento e Mitologia)[7]. Tudo tem um início. Os gases hermenêuticos bultimannianos, mefíticos e letais, ainda estão asfixiando muitos intérpretes até os nossos dias, desde a academia evangélica até aos púlpitos. Digo com pesar que, através de muitos simuladores de alter-ego ( pois uma boa parte dos seguidores de Bultmann possui apenas fração ínfima de sua vastíssima erudição), Bultmann, depois de morto, infelizmente ainda fala! Por ser diácono, foi cunhado o provérbio em sua memória: “Resisti ao diácono e ele fugirá de vós”. A referência óbvia aqui é a Rudolph Bultmann.

Contudo, as coisas não devem ser assim. Neste caso especifico dos símbolos do NT, é melhor que ouçamos Ferdinand de Saussure, o grande lingüista, que postulava que o significante é indissociável do significado, como os dois lados de uma moeda, e mantenhamos os símbolos que nos foram legados no NT, embora saibamos que o que importa mesmo é a realidade simbolizada. Então, diz o apóstolo, no caso das mulheres: Que ponha o véu!

Por fim, a terceira razão que nos leva a concluir em favor da contemporaneidade do uso do véu pelas mulheres na igreja de Cristo é que se torna dispensável dizer que o véu era, de fato, um costume social nos dias do NT e não foi uma criação da igreja. Por estarem inseridas dentro daquele contexto social específico, as mulheres das igrejas do NT não poderiam deixar de usar o véu. Se esse costume se constituísse apenas em uma mera imposição cultural, nada haveria nele que justificasse sua permanência na igreja pelos séculos afora. Basta observarmos, por exemplo, que a escravatura – uma prática cultural não abolida definitivamente pela igreja do NT, mas cuja natureza foi tão profundamente abalada pelos conceitos de igualdade dos membros do corpo de Cristo e de dignidade da pessoa humana ensinados pelo evangelho –, que acabou por ruir quase que totalmente séculos depois. Nada justificaria hoje termos escravos só porque alguns irmãos da igreja primitiva tinham escravos e não foram reprovados por tê-los, ainda que eles tenham recebido novas instruções sobre como tratar os irmãos escravos com toda a cordialidade que é pertinente em Cristo.

De fato, o que não podemos olvidar ou deixar de perceber é que o apóstolo Paulo, ao tratar da questão do uso do véu, em nenhum momento o faz com base em costumes sociais, porém, como o Dr. Charles Ryrie asseverou com toda a lucidez na Bíblia Anotada, nas notas sobre esta passagem de 1Co 11.2-16, p. 1446: “As mulheres deveriam trazer sua cabeça coberta, ou usar um véu nas reuniões da Igreja, e os homens deveriam ter a cabeça descoberta. As razões de Paulo eram baseadas em teologia (hierarquia na criação, v. 3), na ordem na criação (vv. 7-9), e na presença de anjos nas reuniões da igreja (v. 10). Nenhuma destas razões estava baseada em costumes sociais da época”. Deste modo, percebemos que o apóstolo Paulo procedeu a uma total ressemantização desse costume cultural, quer dizer, por revelação divina o apóstolo confere ao véu das mulheres uma significação completamente nova e ele imprime nele traços jamais divisados anteriormente por nenhum outro escritor, profano ou sagrado, de tal modo que ocorre o esvaziamento de quaisquer traços culturais, locais e temporais anteriores, a ponto de ocorrer uma ruptura semântica definitiva com quase tudo quanto o mesmo viesse a significar antes, e um revestimento de novos traços, com os quais ele entra no cânon sagrado. É óbvio que, olhando pela perspectiva da Teologia Bíblica, tal fato se justifica por estar em consonância com o caráter progressivo da história da revelação divina e pela seletividade divinamente orientada do que deveria constar do cânon sagrado. Assim, o Apóstolo dos Gentios vai muito além de si próprio, nas mãos do Espírito Santo, quando reanalisa a questão do véu, de forma a refundamentá-la em bases bíblico-teológicas completamente surpreendentes, apelando para o bom senso e, inusitadamente, atrelando-a, no clímax de seus argumentos, à presença dos anjos nas reuniões da igreja. É relevante destacarmos que, a partir dessas reanálises e refundamentações, quando o apóstolo Paulo revisita a questão do véu por inspiração divina e o ressemantiza do modo como lemos no texto em apreço, esvaem-se todos os argumentos a favor da pressuposição de que haja no NT doutrinas oriundas de condicionamentos culturais, locais e temporais. Por conseguinte, o véu das mulheres de 1 Co 11:2-16, embora fosse antes apenas um costume da época e da cultura dos tempos do NT, após revisitação, reanálise e refundamentação bíblico-teológica ou, em outras palavras, após sua ressemantização divina na instrumentalidade do apóstolo Paulo, passa a possuir um mais amplo sentido e a incorporar traços distintivos divinamente revelados, no momento e no lugar exatos da história da revelação, que o tornam supratópico, supracultural e supratemporal.[8] Somente a parussia (segunda vinda de Cristo) eliminará a necessidade do uso do véu por parte das mulheres cristãs quando da adoração, quando oram ou profetizam.

Assim, leitor, eu creio que essas três razões bem explicitam o que nos propusemos demonstrar e nos permitem enfatizar o ensino do apóstolo Paulo, sem hesitação: Que ponha o véu!

[1] HOFFMANN, Paul. A herança de Jesus e o poder na Igreja – Reflexão sobre o Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1998, p. 86.

[2] LOPES, Augustus Nicodemus. O culto espiritual: Um estudo em 1 Coríntios sobre questões atuais e diretrizes bíblicas para o culto cristão. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p.70.

[3] LOPES, op. cit., p. 71.

[4] LOPES, op. cit., p. 71-2.

[5] Leia também FERREIRA, Fabiano Antonio. Que ponha o véu: A verdadeira interpretação de 1Coríntios 11.1-16 à luz do texto original grego e do verdadeiro transfundo histórico. Rio de Janeiro: Kirios Editora, 2000. O artigo citado está quase na íntegra na segunda parte deste livro.

[6] VIEIRA, Samuel. O império gnóstico contra-ataca: A emergência do neognostcismo no protestantismo brasileiro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999. Até agora, este é o mais completo livro sobre o gnosticismo em língua portuguesa e aborda questões relacionadas a um alomorfe gnóstico identificado no protestantismo brasileiro. Para um estudo do gnosticismo relacionado à psicologia junguiana e à cultura contemporânea, leia também a obra organizada por SEGAL, Robert A. The allure of Gnosticism: The Gnostic Experience in Jungian Psychology and Contemporary Culture. Illinois: Open Court, 1997. Já estão disponíveis em português As escrituras gnósticas: Nova tradução com anotações e introduções de Bentley Layton. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Trata-se de uma excelente tradução para o português de Margarida Oliva da obra original em inglês The Gnostic Scriptures.

[7] BULTMANN, Rudolph. Jesus Cristo e Mitologia. São Paulo: Novo Século, 2000. Antes de ler este livro eu o aconselho a ler uma resenha crítica escrita pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes, na revista Fides Reformata, V.2, julho-dezembro 2000, pp. 161-164.

[8] A ressemantização por reanálise bíblico-teológica significa que todos os elementos simbólicos que entraram no NT vieram despidos de quaisquer condicionamentos culturais, locais ou temporais. Os símbolos sagrados do NT originaram-se da ressemantização (atribuição de novo significado) de elementos culturais originários da cultura vigente no NT, mediante inspiração do Espírito Santo, de maneira que esses elementos passam a ter aplicação a todos os contextos culturais em todas as épocas antes da parussia. Essas ressemantizações imprimiram novos traços a esses elementos simbólicos, por reanálise bíblico-teológica. Esses novos traços, por advirem de revelação do Espírito Santo, imprimem nesses símbolos culturais e não-culturais que entraram no cânon um caráter supratópico (independente de lugar), supracultural (independente de cultura) e supratemporal (independente de época). Assim, como esses símbolos não entram no cânon como resultado de condicionamento cultural (que é incompatível com os conceitos de inspiração e autoridade plenas do cânon sagrado) ou simplesmente por uma reflexão missiológica com vistas à contextualização e sem o selo autoritativo da inspiração, o que não os tornariam revestidos de autoridade inquestionável, eles assumem por divina imposição traços supratópicos, supraculturais e supratemporais. Daí, portanto, como pressupõem as doutrinas da inspiração, da autoridade e da progressividade da revelação, o que entrou no cânon do NT tem vigência irrevogável até a parussia (segunda vinda de Cristo). Na verdade, o processo de ressemantização por reanálise bíblico-teológica constitui o argumento mais forte a favor da permanência dos símbolos da ceia do Senhor com pão ázimo e vinho, do batismo por imersão em rio, do lava-pés, da saudação com ósculo santo, do uso do véu pelas irmãs, etc., servindo de suporte à sua manutenção na prática da igreja em qualquer lugar, época e cultura em que se insira.

FONTE: http://www.opimobrart.org/915.html

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Leia também: "Denominações em que a mulher cobre a cabeça"
Saiba mais em www.missaocristadobrasil.blogspot.com

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